O Tempo (reprise)
sábado, 12 de março de 2016 (reprise)
O Tempo
Tenho que continuar a acreditar que tudo se vai resolver, a seu tempo.
A questão é o tempo! É sempre o tempo.
Às vezes, parece que não há tempo para nada, outras sobra tempo e não sabemos o que fazer com essa sobra.
Queremos que por vezes as coisas se resolvam ao "nosso" tempo, mas elas têm o "seu" tempo...
Porque é que o tempo nos prende? Ou porque é que queremos ficar presos ao tempo? É por medo? É por impaciência, egoísmo?
Não sabemos ouvir o tempo e assim não sabemos respeitá-lo.
Pela necessidade das sociedades organizarem as tarefas, as ocupações, criou-se algo para controlá-las e medi-las, quantificar o tempo que lhes dedicamos- As Horas!
Passámos a ser escravos das horas, dos mecanismos que medem as horas, dos dias, das semanas, dos meses, dos anos, dos séculos e quando damos conta, estamos velhos; o tempo passou num instante e muitos perguntam-se sobre o que fizeram este tempo todo!
Perdemos tempo? Aproveitámos o tempo? Como foi que não vimos o tempo passar?
Ouvimos o tempo passar e não fizemos nada para aproveitar o que ele nos pode dar?
Também usamos essa palavra- tempo- de forma tão banal que não reparamos nela. Os " desbloqueadores de conversa" "parece que o tempo vai melhorar", "hoje está bom tempo para um passeio"... e outros que tais.
Até parece que fugimos dele, do tempo, do significado que ele tem para cada um de nós; " Não tenho tempo", "- tem calma, - não posso, tenho que me ir embora", "Agora não tenho tempo, só no verão", "não há tempo", "é pouco tempo",....
Mas há quem consiga, por algum tempo, ou todo o tempo, ou por muito tempo, ter Tempo!,...
Ter tempo para ouvir, para ouvir-se, para contemplar, para falar, para rir, para abraçar, para estar, para Ser!
Porque para trabalhar, o tempo está marcado e sabes que tens que o fazer. Para comer, para ir às compras, para ir ao ginásio, ao futebol, ao café,... para isso há tempo, mesmo que não o decidas, por ti, alguém o decide!
Mas o tempo para olhar para ti, para dentro, para o teu tempo também aí está. Mas não tem hora marcada! Porque pode ser a qualquer hora! E porque pode ser a qualquer hora, não te preocupas com isso. Vais dando mais tempo àquilo que tem hora marcada até que não sobrou tempo para mais nada.
Dormes, a pensar no tempo do amanhã, nas horas marcadas do dia de amanhã e vais vivendo os teus dias, semanas, meses e anos abraçado às horas marcadas. A tua transição= morte também tem hora marcada, sabes disso!? Mas não a queres abraçar, foges de tal realidade, porque quanto mais tarde, melhor; quanto mais tempo demorar a chegar, melhor.
"Ainda tenho tanto tempo para viver!"- podes dizer. E eu posso perguntar: "viver assim, abraçado às horas marcadas? É essa a vida que queres para ti? É essa a vida que te faz feliz? Seja!
Então, abraça a hora da tua morte também porque ela já chegou e tu não deste conta!
Já morreste para a vida. Deixaste os intervalos das horas marcadas vazios, sem o teu tempo para elas. Foste o moribundo passivo, achando que ias morrer muito mais tarde.
Hoje, olha-te no espelho, não no da parede, mas nos outros, nas outras pessoas e vê-te. Vê como viveste até agora, vê se estás morto/a!
Procura saber se podes ainda ter tempo para ti, para o que tu precisas e não para o que queres- vê se enganas a morte e diz-lhe que não tens tempo para ela!
Foge da morte, foge do tempo, das horas marcadas, dos dias iguais e encontra-te a Ti. Vive!
Há sempre tempo, se tu realmente queres, precisas! Para ti, para os outros que precisam de ti, para quem tu és!
O Tempo
Tenho que continuar a acreditar que tudo se vai resolver, a seu tempo.
A questão é o tempo! É sempre o tempo.
Às vezes, parece que não há tempo para nada, outras sobra tempo e não sabemos o que fazer com essa sobra.
Queremos que por vezes as coisas se resolvam ao "nosso" tempo, mas elas têm o "seu" tempo...
Porque é que o tempo nos prende? Ou porque é que queremos ficar presos ao tempo? É por medo? É por impaciência, egoísmo?
Não sabemos ouvir o tempo e assim não sabemos respeitá-lo.
Pela necessidade das sociedades organizarem as tarefas, as ocupações, criou-se algo para controlá-las e medi-las, quantificar o tempo que lhes dedicamos- As Horas!
Passámos a ser escravos das horas, dos mecanismos que medem as horas, dos dias, das semanas, dos meses, dos anos, dos séculos e quando damos conta, estamos velhos; o tempo passou num instante e muitos perguntam-se sobre o que fizeram este tempo todo!
Perdemos tempo? Aproveitámos o tempo? Como foi que não vimos o tempo passar?
Ouvimos o tempo passar e não fizemos nada para aproveitar o que ele nos pode dar?
Também usamos essa palavra- tempo- de forma tão banal que não reparamos nela. Os " desbloqueadores de conversa" "parece que o tempo vai melhorar", "hoje está bom tempo para um passeio"... e outros que tais.
Até parece que fugimos dele, do tempo, do significado que ele tem para cada um de nós; " Não tenho tempo", "- tem calma, - não posso, tenho que me ir embora", "Agora não tenho tempo, só no verão", "não há tempo", "é pouco tempo",....
Mas há quem consiga, por algum tempo, ou todo o tempo, ou por muito tempo, ter Tempo!,...
Ter tempo para ouvir, para ouvir-se, para contemplar, para falar, para rir, para abraçar, para estar, para Ser!
Porque para trabalhar, o tempo está marcado e sabes que tens que o fazer. Para comer, para ir às compras, para ir ao ginásio, ao futebol, ao café,... para isso há tempo, mesmo que não o decidas, por ti, alguém o decide!
Mas o tempo para olhar para ti, para dentro, para o teu tempo também aí está. Mas não tem hora marcada! Porque pode ser a qualquer hora! E porque pode ser a qualquer hora, não te preocupas com isso. Vais dando mais tempo àquilo que tem hora marcada até que não sobrou tempo para mais nada.
Dormes, a pensar no tempo do amanhã, nas horas marcadas do dia de amanhã e vais vivendo os teus dias, semanas, meses e anos abraçado às horas marcadas. A tua transição= morte também tem hora marcada, sabes disso!? Mas não a queres abraçar, foges de tal realidade, porque quanto mais tarde, melhor; quanto mais tempo demorar a chegar, melhor.
"Ainda tenho tanto tempo para viver!"- podes dizer. E eu posso perguntar: "viver assim, abraçado às horas marcadas? É essa a vida que queres para ti? É essa a vida que te faz feliz? Seja!
Então, abraça a hora da tua morte também porque ela já chegou e tu não deste conta!
Já morreste para a vida. Deixaste os intervalos das horas marcadas vazios, sem o teu tempo para elas. Foste o moribundo passivo, achando que ias morrer muito mais tarde.
Hoje, olha-te no espelho, não no da parede, mas nos outros, nas outras pessoas e vê-te. Vê como viveste até agora, vê se estás morto/a!
Procura saber se podes ainda ter tempo para ti, para o que tu precisas e não para o que queres- vê se enganas a morte e diz-lhe que não tens tempo para ela!
Foge da morte, foge do tempo, das horas marcadas, dos dias iguais e encontra-te a Ti. Vive!
Há sempre tempo, se tu realmente queres, precisas! Para ti, para os outros que precisam de ti, para quem tu és!


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